Dúvidas

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Nesta seção, perguntas gerais e específicas sobre os relâmpagos.

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Qual parte da estrutura o pára-raio protege?

A região de proteção ou zona de proteção será para uma estrutura (prédio ou residência) é aquela que, teoricamente, está imune à incidência direta do relâmpago. Em termos gerais, essa região pode ser representada por um cone imaginário cobrindo a estrutura, com pico situado no pára-raio (terminal aéreo) e um raio de base no solo. Para construções menores que 20 metros, esse raio equivale à altura estrutura + pára-raio e para outras construções maiores, o raio varia e geralmente é menor que essa altura. Alguns fatores como o tipo de estrutura a ser protegida e o nível de aterramento interferem nessa zona de proteção.
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Os aviões têm pára-raios?

Os aviões possuem pára-raios para se protegerem contra as descargas. Os engenheiros de aeronaves também realizam testes com a carcaça dos aviões e verificam qual material suporta e distribui melhor essa descarga. Se isso não for feito, um relâmpago em pleno vôo pode causar imensos problemas, desde curtos-circuitos à falha total do sistema de comando. A blindagem eletrostática do avião não poderá ser aplicada nesse caso, pois esse conceito vale para fenômenos estáticos.
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O relâmpago pode cair no mar?

Os relâmpagos podem ocorrer em qualquer lugar, inclusive na água. Quando a quantidade de cargas numa nuvem de chuva atinge os níveis para a formação das descargas, elas poderão acontecer, independente do local. Muitas pessoas já foram atingidas por relâmpagos quando nadavam ou pescavam. Dentro d'água, os peixes morrem com a intensa corrente elétrica da descarga do relâmpago. Por isso, não se deve nadar ou fazer qualquer atividade na água dos rios ou mares na ocasião de uma tempestade.
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Existem relâmpagos em outros planetas?

A Terra não é o único planeta onde relâmpagos ocorrem. Os relâmpagos têm sido detectados também em Vênus, Júpiter e Saturno. Supõe-se que ocorram em Urano e Netuno. Dados enviados pela sonda Galileu em torno de Júpiter sugerem que lá os relâmpagos são formados pelos mesmos mecanismos que os produzem na Terra. Em 1979, as sondas Voyager 1 e 2 registraram pela primeira vez em Júpiter a formação de nuvens como as que produzem ciclones na Terra e descobriram uma grande quantidade de relâmpagos em seu hemisfério noturno, sugerindo a presença de intensas tempestades.
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Como é feito o estudo dos relâmpagos com foguetes?

Relâmpagos do tipo solo-nuvem podem ser reproduzidos através de pequenos foguetes conectados a longos fios de cobre lançados na direção das tempestades. Após o lançamento, o fio do foguete se desenrola e cria um caminho condutor por onde o relâmpago vem a se propagar. Tal técnica é bastante perigosa e deve ser feita por profissionais da área. Ela tem permitido medir campos elétricos e magnéticos bem próximos ao canal do relâmpago. Os relâmpagos podem ser detectados também do espaço, através de sensores ópticos a bordo de satélites e naves espaciais. Um fato interessante é que os satélites não conseguem distinguir entre raios em nuvens e entre nuvens e solo, mas têm mostrado que cerca de 50 a 100 relâmpagos ocorrem por segundo em nosso planeta. A região tropical recebe 70 % das descargas.
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Na rua, podemos ficar em grupos durante uma tempestade?

Em condições de estabilidade atmosférica (céu claro, sem nuvens de tempestade), há um campo elétrico uniforme próximo à superfície, orientado para baixo. Com isso, se supõe a existência de linhas equipotenciais perpendiculares a esse campo e uma pessoa normalmente estaria sujeita a uma diferença de potencial considerável. Felizmente isso não ocorre, porque o corpo humano é um bom condutor e se comporta como se fizesse parte da Terra. Ficamos com o mesmo potencial elétrico da Terra, que é considerado nulo. Na maioria das vezes, não é a diferença de potencial de uma região que causa perigo, mas sua quantidade de carga. Em tempo bom, há pouca carga associada ao potencial que estamos submetidos. Quando há tempestades, a nuvem carregada pode induzir na superfície terrestre cargas elétricas consideráveis. Permanecendo sozinho, nos assemelhamos a uma ponta e ficando em grupos, essas cargas terão uma superfície "especial" de onde poderão sair uma ou mais descargas.
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Devemos cobrir espelhos durante uma tempestade?

A prática de algumas pessoas em cobrir espelhos ou se afastar deles quando ocorrem tempestades não tem nenhum princípio físico. Espelhos não atraem relâmpagos, tampouco irão "refletir" a descarga em cima de alguém. Essa é apenas mais uma das muitas crendices populares existentes e não deve ser levada em conta como regra de proteção contra os relâmpagos.
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É possível determinar o ponto onde a descarga do relâmpago acontece?

Podemos determinar, através de um cálculo bastante simples, a distância entre nós e onde relâmpago "caiu", em outras palavras, o seu "local de queda". Ao vermos o clarão do relâmpago, devemos marcar o tempo para escutarmos o barulho do trovão. Divide-se esse resultado por 3 e a resposta será a distância aproximada, em quilômetros, do local de queda. Esse cálculo não leva em conta fatores como o número de ramificações do relâmpago, tipo de atmosfera, distâncias reais do ponto no solo e do ponto da nuvem à pessoa. Tudo isso certamente influenciaria no resultado. A margem de erro é de 20%. Quando não conseguimos ouvir um trovão após o clarão do relâmpago, significa que ele ocorreu a uma distância suficiente para toda a energia sonora se perder no ar. Essa distância geralmente é maior ou igual a 20 quilômetros.



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